sábado, 7 de janeiro de 2012

E no final música foi o que viramos


O começo foi em um dia no hospital. Eu fazia trabalho voluntário na ala das crianças, lendo, organizando jogos, brincadeiras, entretendo os parentes que vinham visitar, sendo amigo de todos. Então um dia você apareceu, com seus cabelos flamejantes e lábios de cor tomate e personalidade aberta, usando um casaco vermelho por baixo daquele cabelo todo e você me impressionou com todo seu laranja e vermelho e seu fogo.
Eu disse, e aí, como você está? Você riu com sua boca vermelha e com ela contou que era prima de uma das crianças. Uma hora depois você foi embora, sem meu telefone e eu sem seu nome. Porém, você voltou a visitar, a dar atenção à sua prima. Foi mudando sutilmente, sua atenção indo para mim devagarinho. Você voltou até quando ela já tinha ido embora. Um dia você descobriu meu nome, e no outro descobri seu telefone.
(Eu sentei e esperei algo aleatório se transformar em algo ótimo)
Nada aconteceu entre nós. Você me fascinava, me dava um frio na barriga, me tirava a coragem. Acabei conhecendo seus amigos, você os meus, e todos nós nos misturamos em um grupo enorme. Embora eles não soubessem muito sobre nós, sobre quando trocávamos olhares, eles descobririam um dia.
Ainda não sabia o que estava errado comigo, eu ria mais feliz de lagum modo.
(Então algo aleatório começou a se transformar em algo ótimo)
O acontecimento foi com uma simples confissão. Era seu aniversário e te dei de presente um pedaço de papel correspondente ao meu, que nos levariam a qualquer lugar. Nós pegamos um avião na semana seguinte e fugimos pra um lugar sem nenhum conhecido, você me confessou que sentia falta de algo que ainda não tinha acontecido e eu tive o impulso de te beijar. Seu All Star e meu Rebook começaram a caminhar juntos.
(Aconteceu que algo aleatório virou algo ótimo)
Não, nenhum de nós entendeu, não nenhum nós tentou, senão a mágica escaparia diante de nossos olhos. E eu sorria e eu talvez eu amasse. Você me salvou em uma lista de reprodução alegando que caso as coisas começassem a dar errado ainda me teria no replay. Nossos amigos ainda não sabiam muito sobre nós, mas ainda descobririam o que acoteceu no seu aniversário.
(Começou a mudar novamente)
Eu sabia o que havia de errado comigo, porque você estava se afastando. Eu estava ficando muito sério naqueles tempos.
Você era o fogo e eu era o oxigênio, estava tudo ótimo até que você me consumiu por inteiro e chegou a hora que você precisava de mais ar. Nossos amigos não sabiam muito sobre nós, nem porque paramos de trocar olhares. Você com seus cabelos ruivos e seu casaco vermelho e seu All Star, eu com minha camisa xadrez e meus livros e meu Rebook começamos a trilhar caminhos separados, ambos com os fones no ouvido.
(Aconteceu que algo ótimo virou algo aleatório)
Viramos memórias, que logo foram arquivadas em algum cantinho de nosso cérebro dentro de uma gaveta empoeirada, junto com as coisas que é melhor deixar no passado. Junto com as coisas também que lembramos quando precisamos de um refúgio, quando as coisas estão tão ruins que precisamos de coisas perfeitas pra nos manter com a cabeça no lugar.
E no final viramos músicas, trilha sonora de nosso conto de fadas que não acabou muito bem.

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