segunda-feira, 9 de maio de 2011

O amor dele



- Você disse que seria pra sempre.
- E quem disse que o sempre não é agora?
- Isso não faz sentido algum.
- Eu nunca disse que faria.
- Mas disse que estaria por perto.
- E estou, não?!
- Mas aposto que mais cedo ou mais tarde, vai embora.
- Ir embora não significa estar longe de você. Eu posso passar por aquela porta, e ter você comigo. Ou ficar aqui, e não ter realmente você.

Ele tinha uma resposta pra tudo. Nada do que eu dissesse naquele momento faria alguma diferença. Nós sabiamos disso, mas eu gostava de fingir que ainda acreditava que nós daríamos certo juntos, de novo.

- Ok. Faça o que você quiser.
- Eu já estou fazendo, sempre fiz. Espero que você seja feliz, e que a nossa história te ajude nas suas próximas páginas.

Eu poderia ficar uma hora falando sobre os motivos que ele tinha pra ficar, mas eu resolvi simplesmente ser mais um pra ele partir. Porque amor por obrigação é pena, e o que eu sentia por ele era bonito demais para se transformar nisso.

- Eu já entendi que o seu lugar não é aqui. É difícil, mas eu vou ficar bem. Eu sempre fico.
- Minha querida, nós não temos lugar nesse mundo. Nos nascemos para transformar vidas, e consequentemente, sermos transformados. Eu deixei em você a melhor parte de mim, e acho que isso é amor. Isso é pra sempre.
- Então obrigada por isso.

Em um segundo, enquanto uma lágrima escorria dos meus olhos, ele fechava a mala e atravessava a porta – sem olhar para trás, como sempre fez. A partir daquele momento, eu teria que aprender a lidar com o amor que ele deixou para trás. Para isso, nada melhor do que escrever esse texto. Agora o amor dele também está em você.


(Postado originalmente por Dani Macêdo, do blog Depois dos Quinze)

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