quarta-feira, 18 de maio de 2011



Quando nada mais importa, descobrimos o valor que damos a cada coisa, o sentido exato daquela caixa de música ou da lembrança mais remota da infância, que teima em voltar cada vez mais nítida.

Era assim que Marco se sentia enquanto observava seu peixinho dourado dando voltas no aquário. Decidiu desligar a televisão, que agora brilhava para o nada, e fazer uma caminhada pela praia deserta. "Ele nunca vai voltar" era a frase que ficava martelando em sua cabeça sem parar. Ele se foi, eu mudei.

Ele sabia que a opinião alheia não importava, não mudava por ninguém. Acontece que a mudança que havia feito para si mesmo não surgiu o efeito esperado. Nada mais importava, nada valia a pena. Até a salada com tofu e frango já não tinha a mesma aparência. Agora só parecia murcha e sem graça.

"Se você não está feliz, mude de novo", dizia seu subconsciente. "Você já fez isso antes". Talvez não fosse tão difícil. Talvez assim ele volte. A volta ao apartamento foi pura reflexão. Ao entrar no apartamento, um sorriso tímido apareceu em seu rosto.

Sentou no sofá, a televisão ainda brilhando para o apartamento vazio. Um sorriso imenso não saia do seu lindo rosto agora. "Ele vai voltar" contou ao peixinho que parecia retribuir a alegria. "Talvez um pouco diferente, mas vai voltar".

- Larissa Araldi

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