domingo, 26 de junho de 2011

Garota Promíscua



Cadela.
Vadia.
Vendida.
Vendida não, pois nem cobrar cobrava.
Trocou suas lágrimas por sexo
(Mas ela uma vez chorava por um só alguém)
e seus medos por prazer.
(Mas o prazer não a satisfaz, não, não a satisfaz mais)
Pares de mãos a tocavam e olhos sedentos a cobiçavam.
(Não os que ela queria, aqueles estavam longe)
Ela se convenceu de que não precisava de nada mais. Dinheiro já tinha. Prazer já tinha.
Ela amava essa vida. Perdera a família, mas quem se importa? Eles se envergonhavam dela, a deserdaram, aqueles malditos. A única coisa que ela fez foi tornar as palavras deles realidade. Depois de um tempo ela parou de lembrar. Parou de sentir. De vez em quando ela entrava em colapso, pois de vez em quando sentia, de vez em quando voltava ser humana. Ela entrava em crise em seus breves momentos de lucidez. As lágrimas e os temores voltavam ferozes, tomando conta de cada parte de seu corpo. Doía. Ela então transformava suas lágrimas em álcool e se embebedava na solidão. Ela parava de sentir novamente, sua lucidez ia embora e a rebeldia voltava.
(Ela teve um passado, mas escolheu jogá-lo fora. Ela não queria salvação)
Nos momentos em que sentia ela pensava em voltar. Arrependia-se de tudo. Recordava de seus amigos, sua felicidade, seu amor. Felicidade a qual ela jogou fora, amor o qual ela emprestou em um pacote de presente, e nunca pegou de volta. Ela acreditava que tinha volta.
(Não tinha mais volta)
Então ela pensava no prazer, em toda a diversão. Esquecia de tudo novamente. Um brinde! Dois brindes!
(Ela quis assim)
Ela acordava e voltava com sua vida de luxúria e desejo.
Trocou suas lágrimas por sexo
(Menina sem escrúpulos)
e seus medos por prazer.
(Garota Promíscua)
Mas as dores manteve, era isso que mantinha sua sanidade.
(Foda-se)

Giulia Ciprandi

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